quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ENQUANTO ISSO NO MORRO MAIS PRÓXIMO...

Próximo ao Natal, Wandergleydson, um garotinho corintiano de 8 anos de idade, resolveu escrever uma carta ao bom velhinho pedindo uma bicicleta:
"Papai Nuel, fui um ótimu mininu eci ano, ajudei meu pái, minha mãi e até meu irmãuzinhu. Entãu keru uma bicicreta."
Então parou e pensou:
-Ele nun vai acreditá. Vo refazê a carta.
"Papai Nuel, seu qui nun fui muitu bão eci ano mais acho qui ainda mereçu uma bicicreta."
Não satisfeito, ele joga a carta fora, vai até o presépio, pega a imagem de Maria, coloca dentro do sapato e escreve o seguinte:
"Jesuis, se liga na cituassão... tô cum a tua mãi mano! A treta é a siguinti, se quizer vê tua véia di novu, manda Papai Nuel mim dá uma magrela pra eu sinão o bicho vai pegá pro lado da coroa!!"

sábado, 20 de fevereiro de 2010

THE LAST SATURDAY

Hoje é meu último sábado de folga. Segunda-feira volto ao batente. Vai ser difícil me acostumar, já que passei dois meses em casa dormindo tarde e acordando mais tarde ainda, deixando de ser escravo do relógio e do próprio trabalho (principalmente). Sendo assim, vou procurar aproveitar estes meus últimos momentos de tranquilidade da melhor forma possível: quem sabe eu saia de casa para tomar um sorvete, acho que seria legal.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ALIENAÇÕES

eu já fiz de tudo nesta vida maldita / já passei muitas noites sem dormir tendo como companhia apenas amargas recordações, e esta não poderia ser diferente...
                acordo em meio ao espocar dos fogos, acendo a luz da cabeceira, que apenas suaviza a densa escuridão do meu quarto e, conseqüentemente, da minha vida, acendo um cigarro, levanto e vou para a cozinha preparar alguma coisa para comer, pois sei que a noite será longa e solitária (mais uma vez) /
                enquanto como, penso no possível motivo que aqueles idiotas teriam para fazer tamanho alvoroço, soltando aqueles malditos fogos numa hora daquelas (três da manhã, se não me engano) / às vezes me surpreendo com a capacidade de alienação que o homem possui, logo ele que crê ser o mais inteligente, mesmo usando apenas uns míseros 10% de sua capacidade mental / capacidade essa que, queira ou não, não o diferencia muito dos outros seres inanimados /
                cansado de tanta solidão, pego meus cigarros, ponho o sobretudo e o chapéu e saio para esfriar a cabeça / a rua está vazia (os idiotas já se foram com seus malditos fogos) e o silêncio, que não pára de gritar, me deixa atordoado /
                caminhando sem rumo vou dar numa rua que há muito tempo não passava / uma rua que, infelizmente, não me trazia boas recordações...
                quinze anos já se foram desde aquele dia fatídico / quinze anos que procuro uma resposta para tão inesperado acontecimento e nada encontro senão recordações, tristes recordações que vagam por minha mente tal como se fossem sonhos de um alienado / quinze anos que não consigo ter uma noite tranqüila de sono / quinze anos que penso em você, nos seus carinhos, no seu jeito de criança que ganha um brinquedo novo e abandona, sem dó nem rancor, os que já não servem mais / e foi isso que infelizmente aconteceu / nós nos amávamos como se não houvesse amanhã e você simplesmente me deixou como se fora um brinquedo velho /
                até hoje penso no motivo que a levou a tão brusca decisão / seria meu excesso de zelo, de amor, de confiança? seria minha paixão incontrolável? seria minha preocupação exacerbada? infelizmente agora não tenho mais como saber, tudo porque há quinze anos você se foi sem me dizer sequer uma palavra de adeus ou de consolo /
                mas voltando àquela rua... estava eu caminhando, como já disse, sem rumo, quando me deparei com o cenário de minha morte em vida / ao perceber onde estava, fechei os olhos, sentei num banco próximo e, com o coração em pedaços, chorei / chorei como há muito não fazia / chorei como uma criança desamparada, chorei como um velho alienado e só, que já viveu tudo o que podia e que, de tão velho, só o que consegue lembrar é da solidão /
                permaneci ali por mais umas duas horas, então me levantei e voltei para casa / voltei para nunca mais sair, para nunca mais chorar, para nunca mais viver...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

QUARTA-FEIRA CINZENTA

Pra fechar minha semana de carnaval em casa.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL RELAX

Com certeza estou ficando velho, ou já nasci velho, porque, ao contrário da grande massa, eu não gosto de carnaval. Não suporto aquela aglomeração de gente feia, suando, fedendo, ouvindo música ruim e tomando cerveja quente. Quando eu era rapaz pequeno lá em Curitiba, até que gostava, porque, acredito, não sabia o risco que corria, e mesmo porque só ia às matinês do clube do qual éramos sócios.
Dito isso, coloco aqui uma música que está extremamente de acordo com meu espírito carnavalesco. Curtam!!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

INDEPENDÊNCIA

tudo começou quando minha mãe decidiu ir embora “para sempre” de minha vida / de início, me pareceu uma idéia meio absurda, pois eu nunca havia ficado longe da barra da saia dela por mais de uma semana (?), mas como sua decisão era de caráter irrevogável, tive que me acostumar com a possibilidade de ter que lavar minhas próprias cuecas, o que não seria nada mau, afinal eu já era um homem (se bem me lembro, tinha 12 anos na época) /
            mas voltando ao texto: o dia era 09.02.82 (bendito dia!) / malas prontas, mobília encaminhada, dentes e cachorros escovados, lá foram elas, as mulheres mais importantes da minha vida: mamãe, mana e maninha, minha cadelinha poodle e anastácia, minha ama de leite (o da minha mãe havia condensado) / e olha que ela era bem moça /
            mal elas pegaram a estrada, as lágrimas começaram a rolar pela minha fronte altiva e matreira / por um lado, eu iria sentir muita falta delas, mas por outro... bom, eu seria o homem da casa, sem nenhuma influência feminina por perto, o que muito me agradava /
            chegando em casa (sozinho) comecei a andar pelo espaço vazio deixado por elas / tudo (leia-se nada, pois elas haviam levado tudo) que eu via, trazia à minha mente as recordações dos bons momentos vividos naqueles doze anos de vida ao lado daquelas que hoje, 14 anos depois, me inspiram para escrever estas memórias /
            vamos por partes:
            a) mamãe: com certeza foi uma das pessoas mais importantes da minha vida (a outra foi papai), sim, pois sem eles eu não estaria aqui escrevendo para vocês / nesses 26 anos, mamãe me aturou, beijou, surrou e fez tudo o que a maioria das mães faz por seus rebentos, ou seja, deu condições para que eu pudesse estudar e me tornar este maravilhoso escritor que vos escreve / só uma coisa ela não fez: uma mousse de chocolate com seu leite condensado /
            b) mana: sem sombra de dúvida, essa foi uma personagem indispensável em minha vida / sem ela, que fez o papel de irmão em muitos momentos de briga fraternal, minha criação seria incompleta / já imaginou um rapazinho sem um irmão para implicar e dar uns socos de vez em quando? impossível! graças a ela, não morri de tédio na infância /
            c) maninha: em relação a este magnífico exemplar da raça humana só o que eu posso dizer é: se o estupro for inevitável, relaxe e goze! imagine você, caro leitor, que depois de eu ter passado quase uma década e meia exercendo o cargo de caçula, surge, como que por encanto, mais uma rebenta para dividir a papinha nestlé nossa de cada dia... um absurdo!
            d) anastácia: foi uma ótima ama, mas se ela tivesse esquentado o leite e posto um nescau, minha vida teria sido muito mais doce /
            ah, antes que eu me esqueça, tem também a minha irmã mais velha / não que ela tenha sido mera coadjuvante em minha vida, muito pelo contrário, ela foi, é e sempre será meu maior orgulho, meu espelho, enfim, aquela que eu gostaria de ser quando crescesse (se é que isso um dia vai acontecer), pois eu sou e sempre serei uma eterna criança /
            o fato de eu ter ligeiramente esquecido dela é que no momento em que minhas mulheres se foram, ela já não estava entre nós (ela é casada; muito bem por sinal) / por isso, não se ofenda, ok maninha?
            por último, mas não menos importante, muito pelo contrário (de novo!): papai!
            apesar de você não ter me comprado aquele chocolate no passeio público, naquele domindo de maio de 79 e não ter me levado ao jogo atlético X matsubara só porque eu estava com pneumonia, você foi o melhor de todos (apesar de tudo) /
            bom, caro leitor, minhas memórias acabam aqui, mesmo porque, eu não vivi tanto tempo assim para ter mais o que escrever /
            muito obrigado pelo tempo dispensado e até a próxima!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

TRANSCENDENTE

A cerveja é um bálsamo
Que embriaga meu ser,
Que enobrece a alma
No mais profundo âmago do viver.
Aqui nesta mesa,
Minh’alma transcende a matéria,
Alcança o infinito,
Abraça o crepúsculo,
Entorpece o sentimento
De uma vida sem sentido,
Em busca de luz
No caos sobrevivido.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

GRITOS


“¿Que no grite? ¿Mordaza hay preparada?
Venid: amordazad mi pensamiento.
Grito no es vibración de ondas al viento:
grito es conciencia de hombre sublevada.”
Grita minh’alma... Grita meu coração...
De saudade, de tristeza, de solidão...
Y mientras grito, lloro por tu ausencia...
Por tu sentimiento, por tu inevitable presencia...
Ah...! Quem dera sentir no vento o seu perfume...
Quem dera ser o vento... Tocar seu corpo...
E desmanchar-me em lágrimas... Percorrer seu rosto...
Sinto-me como se fora uma flor... Sua flor...
Lânguida de prazer... Por uma pele secreta,
secretamente aberta, invisivelmente entreaberta...
Mas você, mulher, que prefere a noite e se encerra em seus pensamentos,
não sabe dos secretos desejos que vivo, que acalento...
Você, mulher, que povoa meus sonhos mais recônditos...
Que pisa e destroça meus sentimentos...
Segue vivendo e desprezando esse coração que grita,
que chora, que morre por tê-la por um só momento...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PÓ E OSSOS

cinco horas da madrugada, hoje / num sobressalto, acordo, ouvindo um clamor de clarins e um rufo acelerado de caixas de guerra / corro à janela, que defronta o palácio do governo.
exatamente assim estou me sentindo agora / madrugada, insônia (de novo!), batimento descompassado do meu coração em guerra, a janela iluminada pela brasa de um cigarro que passa do lado de fora e você ilustrando meus sonhos alucinados pela febre que me consome noite após noite /
acordo (apesar de já estar acordado) e vou me sentar na varanda do 27º andar do edifício onde moro, em uma cidade que não pára, a não ser para te ver passar tal qual anjo caído do paraíso em noite de lua cheia, onde lobos e corujas cantam para espantar o medo e a solidão causada pela lei do mais forte /
sem entender muito bem o que está acontecendo, olho para baixo e vejo répteis rastejantes em fila, como se estivessem esperando a vez de serem devorados por um dos mensageiros do apocalipse, que só espera pelo momento de vomitar pragas e destruição pelo mundo, tal qual pandora quando abriu aquela maldita caixa...
mas como sempre, você não dá a mínima para o que se passa do lado de fora de sua vida insignificante, medíocre, egoísta e sem graça / na verdade, você só quer dinheiro para gastar com sexo, drogas e futilidades que, de uma forma ou de outra, lhe dão prazer, um prazer que ninguém jamais conseguiu te dar /
cansado de tanta podridão, vou para a sala, pego um velho álbum de fotografias e começo a rever meu passado, sem me importar com as más recordações que vêm à minha mente / folheando estas páginas já amareladas e deterioradas pelo tempo, me dou conta de que um dia você fez parte da minha vida e que fomos felizes por alguns momentos, mesmo que eles tenham sido tão raros a ponto de eu simplesmente esquecê-los /
algumas horas se passam até que percebo que estou com aquela maldita febre novamente / corro até a cozinha, pego uma aspirina e a tomo com coca-cola para ver se faz efeito mais rápido / só o que consigo é provocar mais uma crise de úlcera que me destrói por dentro, como você /
volto para a varanda /
amanhece /
chove /
você está mais uma vez dormindo no banco em frente ao prédio esperando que, como sempre, eu desça para trazê-la para casa depois de haver vagado pelas ruas, sem destino, sem dinheiro e sem ter conseguido um segundo sequer de prazer /
tomo um banho, me arrumo, desço até a garagem, entro no carro e vou trabalhar /
no final da tarde, um bilhete na porta de entrada:
te amo!
penso:
mais cinco anos sozinho!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CALOR DO CAR...


Uma imagem para ilustrar o que nós aqui da linha de baixo do equador estamos passando: um calor da porra!! Ai que saudades do inverno!! Inveja do meu amigo Andrey!!