sábado, 22 de junho de 2024
sexta-feira, 21 de junho de 2024
déjà vu
três e treze da madrugada e nada do sono vir / já tomei meu rivotril, já passei horas lendo, já levantei para comer, voltei a deitar, tomei uma neosaldina para evitar uma possível dor de cabeça, que possa vir a surgir e continuo aqui/
mas não poderia ser diferente, afinal, velhos
hábitos nunca morrem / a madrugada, a escuridão e o silêncio me motivam/
no entanto, o que me trouxe aqui não foi minha
constante insônia física, mas uma inércia mental que insiste em apoderar-se de
mim há tanto tempo, que já perdi a conta / quem me conhece sabe a que me refiro
/ muito tempo se passou, e os sentimentos são os mesmos: dúvida, incompreensão,
medo, solidão, tristeza e saudade/
o que eu acabei de escrever, já foi dito em
outra situação, em outra história (uma que falava de uma cruz e um caldeirão),
mas como nossa existência, ao meu ver, é como um ciclo, o que vivemos não passa
de um constante sentimento de déjà vu
/ nesse caso em especial, um déjà vu
que não me traz nada de bom/
certa vez alguém me disse que, para sermos
felizes, precisamos primeiro amar a nós mesmos e que, se assim o fizermos, a
felicidade externa chegará naturalmente / mas como alguém pode amar a si
próprio se, nos últimos tempos, só vem experimentando sofrimento e desilusão? sinceramente,
não tenho vocação para ghandi, madre teresa, lady di, buda ou padre fábio de melo
/ não é de minha natureza ser esse tipo de pessoa extremamente positiva, quando
o mundo ao meu redor conspira contra / acho que deve ser por isso que não jogo
na loteria, porque não tenho essa característica de, tipo, “agora é minha vez,
vou ganhar”, “cara, hoje sonhei com um sapo, então quer dizer que vou encontrar
a sorte se for a um restaurante asiático e comer pernas de rã fritas” / não!
a vida nos reserva muitas coisas, mas quando
essas “muitas coisas” não saem do jeito que imaginávamos, começamos a
questionar se, realmente, existe este tal de destino / está muito mais para provação do que destino / e por
quantas provações teremos que passar para alcançar o êxtase? e será que existe
esse tal de êxtase? acho que não, pelo menos não no meu caso, afinal, nas
poucas vezes que imaginei tê-lo alcançado, vem a vida, me passa uma rasteira e
caio de cara no chão / já caí tantas vezes, que aprendi a andar olhando para
baixo para, pelo menos, na próxima queda, tentar desviar das pedras mais
afiadas, que poderiam causar danos maiores/
de acordo com o positivismo de comte, o conhecimento científico é a única forma de
conhecimento verdadeiro / e o que isso tem a ver com o que estou dissertando
aqui? na verdade, sob o meu ponto de vista, se não conhecemos nem a nós mesmos,
como podemos chegar a conhecer o mundo? se, cientificamente falando, eu não sei
mais quem sou, devido a diversos fatores externos, nunca chegarei a saber quem
sou verdadeiramente / e se não sei mais quem sou verdadeiramente, qual o motivo
de minha existência?
tudo isso é muito complexo,
mas uma coisa é extremamente simples: se não consigo sentir-me amado por
outrem, como posso sentir-me amado por mim mesmo? eu preciso de estímulos
externos, para que o meu eu interior
perceba que vale a pena seguir adiante / ah, e como quero poder seguir adiante/
mas voltando ao início do meu
raciocínio, estou aqui tentando explicar o porquê de tanto negativismo (dúvida, incompreensão, medo, solidão, tristeza
e saudade)/
por mais difícil que seja,
tais sentimentos estão enraizados no meu ser de tal forma, que já não sei se
posso cortá-los pela raiz, por mais que eu tente/
acredito que por medo de
passar por tudo novamente, meu coração virou uma pedra de gelo e, por mais que
eu tente aquecê-la, o derretimento é tão lento, que torna-se imperceptível e,
praticamente, inexistente/
quero sim, e muito, voltar a
experimentar aquela alegria que sentia antes de que meu mundo desabasse sobre
minha cabeça / quero sim, e muito, voltar a amar e sentir-me amado, mas o
fantasma do fracasso me assombra dia e noite, e essa sensação é uma das com as
quais eu não consigo lidar/
frustração, essa é a palavra
que paira sobre minha existência e enquanto eu não puder eliminá-la da minha
vida, do meu dicionário, jamais voltarei a ser feliz, ah, e como eu gostaria de
voltar a ser feliz/
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Cantiga da Desvairada Donzela
Num mundo de ideias,
te perdes, donzela,
Mimada e vazia, sem
mente a brilhar,
Teus caprichos te
cegam, não consegues enxergar.
Mal educada, tu te
mostras ao mundo,
Palavras ríspidas,
gestos de desdém,
Teus modos grosseiros revelam
quem és além.
A beleza foge do teu
rosto tão triste,
Feia é a mágoa que a
alma carrega,
Teu semblante apagado
reflete a dor que não nega.
Na teia de caprichos,
te enredas, menina.
Frustrada por não ser
rainha a mandar,
Tuas vontades infantis
te impedem de enxergar.
Chamaste-me lixo,
título que carrego,
Mas pobre é o coração
que em ti persiste,
Tua fala desdenhosa, é
maldição que me investe.
Em teus desvarios, não
vês a verdade,
No espelho reflete-se
a sombra do teu ser,
Tua ignorância
orgulhosa te faz perecer.
De um camponês que chora o amor não correspondido
Na aldeia vivia um camponês,
que a uma donzela da corte amava.
Seu amor era tão forte e fiel,
mas jamais a donzela lhe olhava.
Seus olhos verdes como o mar,
nunca se voltavam em sua direção.
Seu coração batia em vão,
pois ela não sentia a mesma paixão.
O camponês cantava na beira do rio,
esperando que ela o ouvisse cantar.
Mas ela nunca apareceu,
e seu amor não pode se concretizar.
Oh, amada que não me amas,
por que não me dás uma chance?
Meu amor é sincero e verdadeiro,
não mereço viver na esperança.
Mas o camponês, mesmo sem esperança,
continuou a amá-la em segredo.
Pois às vezes, o amor não correspondido,
é o mais puro e verdadeiro de todos os segredos.
terça-feira, 11 de junho de 2024
(des)humanidade
Nem sempre o que dizemos é o que pensamos. Às vezes pensamos muito, mas dizemos pouco simplesmente com o intuito de não ferir alguém ou simplesmente para não gerar um atrito desnecessário. Isso vale para todas as eferas dos relacionamentos humanos: amor, trabalho, convivência social, enfim, tudo.
Sendo professor nos dias de hoje, muitas, mas muitas vezes mesmo, temos que parar, respirar, contar até um zilhão para não verbalizar aquela enxurrada de impropérios que vêm à nossa boca quando um aluno, ou um grupo deles, fala algo que, numa situação normal de temperatura e pressão e em épocas há muito passadas, seria motivo para acabar com o infeliz ali mesmo, na frente de todos, para que ele entenda, de uma vez por todas, quem manda naquela porra!!
Mas, infelizmente, não é o que acontece, porque hoje, com pais cada vez mais coniventes com as atitudes de seus rebentos, se qualquer pessoa diz algumas verdades na cara dos pequenos (pero no mucho) é motivo pra processo, agressão verbal e, até, física. Então calamos...
...e continuamos sendo escravos de um sistema que permite tudo, desde que seja para o seu próprio bem estar, nunca para o do próximo.
"E assim caminha a (des)humanidade".
Dica e análise literária
🚇 Metrô 2033 – Dmitry Glukhovsky (2002) - Uma odisseia pela escuridão física e filosófica do subsolo de Moscou - 🔍 INTRODUÇÃO: O F...