quarta-feira, 2 de abril de 2025

Poetando por aqui

Margaridas e Distâncias


Entre margaridas, te encontro:

pétalas brancas a desfiar-se no vento,

corpos que se dobram como hastes,

no jardim do nosso segredo.


Amor, és o sol que as inclina,

o toque que as faz tremer—

e mesmo quando a noite as esfria,

elas sabem a quem pertencer.


Mas a distância é um campo vazio

onde as raízes não se alcançam.

Teu cheiro, flor, ainda me invade,

mesmo quando as horas se alongam.


Quero colher-te com os dentes,

beber o orvalho do teu verso,

enquanto o tempo, lento, mente

que não há sexo no universo.


(Exceto o nosso, clandestino,

que nasce e morre como a erva —

e mesmo ausente, determina

que a terra inteira me enerve.)

Poetando por aqui

Margaridas e Distâncias Entre margaridas, te encontro: pétalas brancas a desfiar-se no vento, corpos que se dobram como hastes, no jardim do...