Margaridas e Distâncias
Entre margaridas, te encontro:
pétalas brancas a desfiar-se no vento,
corpos que se dobram como hastes,
no jardim do nosso segredo.
Amor, és o sol que as inclina,
o toque que as faz tremer—
e mesmo quando a noite as esfria,
elas sabem a quem pertencer.
Mas a distância é um campo vazio
onde as raízes não se alcançam.
Teu cheiro, flor, ainda me invade,
mesmo quando as horas se alongam.
Quero colher-te com os dentes,
beber o orvalho do teu verso,
enquanto o tempo, lento, mente
que não há sexo no universo.
(Exceto o nosso, clandestino,
que nasce e morre como a erva —
e mesmo ausente, determina
que a terra inteira me enerve.)